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Município de Ílhavo recebe relatório que justifica a continuidade do encerramento da Ponte da Vista Alegre
área de conteúdos (não partilhada)A Câmara Municipal de Ílhavo recebeu, ontem, o relatório de avaliação do estado de degradação estrutural da denominada Ponte da Vista Alegre, elaborado sob coordenação de Hugo Rodrigues, professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro.
As análises, avaliações e conclusões do relatório permitem-nos determinar o estado de conservação da Ponte e dos seus diversos elementos, e propõe medidas de atuação necessárias à resolução das anomalias tecnicamente identificadas. Trata-se de um relatório complementar às inspeções realizadas em 2015 e 2023, bem como ao parecer emitido pelo Gabinete Municipal de Proteção Civil, aprofundando a análise numa perspetiva técnica, estrutural e de gestão de risco, constituindo, acima de tudo, um importante instrumento para apoio às necessárias tomadas de decisão do Executivo Municipal. Decisão que assentará em três pilares imprescindíveis: segurança das pessoas e bens, sentido de responsabilidade técnica e política na tomada de decisão, e sustentabilidade financeira da solução escolhida.
O relatório de avaliação conclui que existem sinais evidentes de degradação progressiva da estrutura, em particular, as duas vigas longitudinais centrais que correspondem aos elementos mais pressionados e solicitados, e, simultaneamente, aqueles onde se verificam os danos mais significativos, exigindo uma intervenção prioritária.
Além disso, numa avaliação global, a Ponte entre a Vista Alegre e a Gafanha da Boavista apresenta um quadro de deterioração caracterizado pela corrosão generalizada face à elevada exposição à humidade e condições ambientais; deficiências nas ligações estruturais e na rigidez transversal; degradação acentuada do tabuleiro em madeira, com presença de podridão, fissuração e colonização biológica; problemas de erosão e assentamentos nos taludes; agravamento associado ao aumento do tráfego rodoviário.
Conclui ainda o Relatório que o risco estrutural é suficiente para justificar a adoção de medidas preventivas imediatas.
Neste contexto, e com base nas recomendações técnicas, a Câmara Municipal de Ílhavo decidiu manter o encerramento da Ponte ao tráfego rodoviário e limitar a sua utilização de forma condicionada, a peões e a velocípedes.
Ao mesmo tempo, será desenvolvido com carácter de urgência um plano de intervenção que incluirá, entre outras ações:
- a substituição integral do tabuleiro;
- a limpeza e proteção dos elementos metálicos, com aplicação de sistemas anticorrosivos adequados;
- substituição de elementos estruturais degradados, incluindo longarinas e componentes metálicos secundários;
- revisão, reforço ou substituição de ligações estruturais e reparação dos encontros em betão;
- avaliação das fundações e elementos em meio hídrico;
- realização de ensaios de carga após as intervenções.
Adicionalmente ao conjunto de intervenções prioritárias, será implementado um plano de manutenção e monitorização contínua, com inspeções periódicas e acompanhamento das zonas críticas, garantindo uma gestão eficaz da infraestrutura e prevenindo a recorrência de patologias.
A tão desejada reabertura ao tráfego automóvel será considerada apenas após validação técnica das condições de segurança, podendo vir a ocorrer de forma condicionada, com circulação alternada. A Câmara Municipal tem a perfeita noção dos constrangimentos que o encerramento da Ponte provoca na comunidade e na mobilidade das pessoas, mas para o atual Executivo nunca será opção trocar a segurança e a vida das pessoas pelo agradar populista ou mediático ou, muito menos, por razões eleitoralistas.
O Executivo Municipal reafirma o seu compromisso com a segurança da população e com a preservação das infraestruturas municipais, assegurando que todas as decisões são tomadas com base em rigor técnico e responsabilidade política e governativa. A Ponte da Vista Alegre terá uma solução e voltará a desempenhar o seu papel na mobilidade e acessibilidade das pessoas e daquela comunidade. Mas não será uma solução precipitada, irrealista, sem rigor técnico e sem sustentabilidade. E muito menos perigosa.