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Câmara de Águeda acompanhou cerca de mil pessoas num ano no âmbito do Radar Social
área de conteúdos (não partilhada)Projeto aposta na prevenção e resposta integrada aos desafios sociais
A Câmara Municipal de Águeda acompanhou, entre abril de 2025 e abril de 2026, no âmbito do projeto Radar Social, um total de 442 agregados familiares, abrangendo cerca de 994 pessoas. Os dados foram avançados durante o seminário “Radar Social do Município de Águeda – Impacto do Projeto na Intervenção Social”, uma iniciativa que reuniu, na terça-feira, no Centro de Artes de Águeda, responsáveis institucionais, técnicos e parceiros locais para refletir sobre os principais desafios sociais do território.
Durante este período de um ano, realizaram-se pela equipa do Radar Social do Município de Águeda 255 visitas domiciliárias e 270 encaminhamentos para o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social (SAAS), tendo sido identificadas situações críticas nas áreas da habitação, saúde, alimentação e saúde mental.
Os números refletem uma intervenção de proximidade e caráter preventivo, permitindo sinalizar vulnerabilidades antes de evoluírem para cenários de maior gravidade, e consolidando uma abordagem mais estratégica e informada na definição de políticas sociais.
Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda, destacou a centralidade da dimensão humana na intervenção social, sublinhando que “a nossa humanidade deve sobrepor-se na relação que temos uns com os outros” e que o compromisso com as pessoas deve estar acima de qualquer formalismo institucional.
O Edil, com formação na área da saúde, reforçou a importância de uma resposta comprometida e exigente às situações de vulnerabilidade, admitindo mesmo que essa exigência se reflete na sua liderança. “Peço desculpa por alguma pressão que coloco nestas situações, mas é exatamente isto que eu espero de todos”, disse, defendendo que “quando alguém precisa efetivamente de ajuda, não podemos adiar essa resposta”.
O Presidente da Câmara de Águeda apelou ainda a uma maior responsabilização individual e coletiva, frisando que a intervenção social não depende apenas das instituições, mas também da atitude de cada profissional e de cada cidadão. “A nossa consciência não nos pode deixar descansar enquanto houver alguém que precisa de nós”, afirmou, acrescentando que a construção de uma sociedade mais justa passa por pequenas ações concretas no dia a dia, capazes de melhorar a vida de quem mais precisa, enquadrando o Radar Social como um instrumento que deve centrar-se precisamente nessas necessidades.
A vereadora da Ação Social, Marlene Gaio, destacou, precisamente, o impacto do Radar Social enquanto ferramenta de conhecimento e planeamento estratégico, sublinhando que os dados apresentados representam muito mais do que estatísticas. “Estamos a falar de famílias concretas, de pessoas que encontraram respostas, de situações de isolamento que foram quebradas e de vulnerabilidades identificadas a tempo”, afirmou.
A responsável evidenciou ainda a capacidade do projeto para antecipar problemáticas e reforçar a eficácia da intervenção, permitindo uma leitura mais fina do território através da georreferenciação social. “Este trabalho dá-nos uma base sólida para decisões mais justas e adequadas às necessidades reais das pessoas”, referiu, salientando também o papel determinante da rede de parceiros locais, desde instituições sociais a entidades de saúde, educação e segurança.
Marlene Gaio destacou ainda que “as políticas públicas e os programas municipais que temos implementado” tem permitido posicionar Águeda acima da média nacional num dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável mais relevantes, “o da erradicação da pobreza”. Ainda assim, reforçou que o trabalho está longe de concluído. “O diagnóstico está feito, o conhecimento foi produzido e as necessidades foram identificadas. Agora cabe-nos transformar esta informação em ação”, afirmou, salientando que “cabe-nos continuar a construir respostas mais próximas, mais integradas e eficazes, garantindo que ninguém fica para trás”.
Já José Licínio Pimenta, diretor do Centro Distrital de Segurança Social de Aveiro, sublinhou a importância de instrumentos como o Radar Social numa resposta moderna aos desafios sociais. Segundo o responsável, “num contexto de crescente complexidade, já não é suficiente reagir, é essencial antecipar, compreender e agir de forma coordenada”.
O dirigente destacou ainda que o verdadeiro impacto do projeto reside na capacidade de transformar o conhecimento produzido em ações concretas que melhorem a vida das pessoas. “Um diagnóstico só ganha valor quando se traduz em decisões e essas decisões em resultados efetivos no terreno”, afirmou, defendendo uma intervenção assente na cooperação entre instituições e numa lógica de rede cada vez mais consolidada.
O seminário contou com a presença de vários representantes de instituições e profissionais da área social, constituindo um espaço de reflexão conjunta sobre temas como a pobreza, a saúde mental e o envelhecimento, bem como sobre a preparação do território para responder às vulnerabilidades identificadas.