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Exposição de Fotografia Itinerante “Um Mundo Colorido de Aranhas” na Biblioteca Municipal João Grave
área de conteúdos (não partilhada)A Biblioteca Municipal João Grave, em Vagos, recebe entre os dias 1 de julho e 31 de agosto de 2026 a exposição de fotografia itinerante “Um Mundo Colorido de Aranhas”, uma iniciativa do Departamento de Biologia, com curadoria de Aldiro Pereira.
A mostra reúne trabalhos fotográficos de Aldiro Pereira, António Vieira e Fábio Gomes, que apresentam ao público um olhar singular sobre o universo das aranhas. Através de imagens de grande detalhe e qualidade estética, os autores revelam a beleza, a complexidade e a diversidade destes organismos, muitas vezes ignorados ou incompreendidos.
Cada fotografia constitui um testemunho da sensibilidade e do rigor científico dos fotógrafos, captando pormenores dificilmente percetíveis a olho nu e convidando os visitantes a descobrir um mundo fascinante, repleto de formas, cores e texturas únicas.
Apesar de frequentemente associadas ao medo e a mitos culturais, as aranhas têm desempenhado um papel simbólico relevante ao longo da história. Desde a mitologia grega, com a figura de Aracne, até às tradições egípcias, hindus ou do leste europeu, estes aracnídeos surgem associados a significados como proteção, criação ou persistência. Na natureza, destacam-se precisamente pela sua paciência e eficácia em técnicas de caça.
Do ponto de vista biológico, as aranhas distinguem-se por possuírem oito patas, ao contrário dos insetos, e quelíceras que utilizam para inocular veneno. O seu corpo divide-se em cefalotórax e abdómen, sendo neste último que se encontram as fieiras responsáveis pela produção de seda — elemento essencial para a construção das suas teias, que variam em forma e função consoante a espécie.
Enquanto predadoras generalistas, as aranhas desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, contribuindo para o controlo de populações de insetos, incluindo potenciais pragas agrícolas. Simultaneamente, constituem alimento para diversas espécies, como pequenos répteis, anfíbios e outros invertebrados, integrando cadeias alimentares complexas e essenciais.
Com uma extraordinária capacidade de adaptação, as aranhas podem ser encontradas em praticamente todos os habitats do planeta, desde florestas tropicais a desertos áridos e até em altitudes elevadas, como nos Himalaias. Em Portugal, estão identificadas cerca de mil espécies, sendo apenas duas potencialmente associadas a condições médicas — a Viúva-Negra Mediterrânica e a Aranha-Violino — que, ainda assim, são geralmente inofensivas e evitam o contacto com o ser humano.
A exposição integra uma dimensão científica rigorosa, contando com a revisão de Jorge Henriques (CESAM/DBIO) e Cristóvão Belperin (CESAM/DBIO), responsáveis pela identificação das espécies e pela elaboração das respetivas legendas, reforçando o carácter educativo da iniciativa.
Com esta proposta, pretende-se promover uma maior compreensão e valorização destes importantes organismos, contribuindo para desmistificar preconceitos e reforçar a importância da biodiversidade.
A iniciativa insere-se na estratégia cultural da Câmara Municipal de Vagos, que aposta numa programação diversificada e contínua, promovendo o acesso à cultura e incentivando a participação da comunidade. A Biblioteca Municipal João Grave afirma-se, assim, como um espaço de dinamização cultural, aberto à inovação, à arte e à ciência.
A colaboração com entidades como a Universidade de Aveiro reforça esta missão, aproximando a investigação científica do público e promovendo a reflexão sobre temas relevantes como a sustentabilidade e a preservação ambiental.
Horário de visita:
- Segunda a sexta-feira: 10h00 – 12h30 e 14h00 – 18h00
- Sábados: 10h00 – 13h00
A entrada é livre.